Alta pontuação é garantia de qualidade?

É comum buscarmos recomendações quando pensamos em comprar algo novo. Esta sugestão pode vir de amigos, parentes, especialistas no assunto ou até influenciadores digitais, que estão em alta nas redes sociais hoje em dia. O ponto importante é que, em geral, buscamos o conselho de alguém que, de alguma maneira, ganhou a nossa confiança. Mas, quando vamos comprar um vinho é assim que funciona?

Um estudo realizado em 2016 pela Wine Intelligence (empresa especializada em pesquisas sobre o mercado de vinho) indica que 80% dos entrevistados considera importante a recomendação de um familiar ou amigo, 57% de um crítico e 58% de um membro da equipe do local onde o vinho é vendido. Por outro lado, quando estamos em frente à uma prateleira de supermercado e não há ninguém por perto que possa nos dar uma recomendação, como tomamos esta decisão?

A alternativa encontrada por certos produtores foi colocar alguma informação sobre o vinho no contrarrótulo. Aplicativos digitais, como o Vivino ou Delectable, se tornaram boas fontes de pesquisa, mas, na falta deles, mecanismos mais imediatos como etiquetas coladas nas garrafas com pontuações ou premiações se tornaram uma referência para os consumidores.

O conceito de pontuação foi difundido pelo então advogado Robert Parker Jr. que, em 1976, criou um jornal bimestral chamado The Baltimore-Washington Wine Advocate com a ambição de facilitar a compreensão dos consumidores norte-americanos por vinho, dando informações imparciais sobre os rótulos provados. Junto ao comentário, Parker popularizou o uso de uma escala de pontos que vão do 50 (vinho inaceitável) a 100 pontos (um vinho extraordinário) para classificar a qualidade do vinho.

Com a previsão (e confirmação) da safra de 1982 de Bordeaux como uma das melhores dos últimos tempos, Robert Parker criou um enorme interesse dos americanos pelos vinhos deste icônico ano, alavancando as vendas da região que estavam estagnadas há anos. Foi o que precisava para Parker receber status de celebridade e gerar o sonho em todo produtor de alcançar altas pontuações para aumentarem as suas vendas.

Tal formato de avaliação passou a ser utilizado por outros críticos e publicações e, hoje, é comum os consumidores buscarem vinhos com ‘90 ou mais’ pontos, sem se preocuparem em ler o que o crítico efetivamente escreveu sobre o vinho.

 

O ponto chave é: alta pontuação é realmente garantia de qualidade?

De modo geral, altas pontuações indicam os melhores vinhos, mas – atenção – cada crítico ou publicação tem sua própria forma de avaliar. Os tão ambicionados 90+ pontos podem ser belas vitrines para aumentar as vendas, mas não são garantia que o consumidor vai realmente gostar do vinho. O melhor para uns pode não ser o melhor para outros.

Há vinhos abaixo dos 90 pontos que são, de fato, muito bons, porém podem ser menos complexos e de consumo mais imediato. Isso não tira o brilho do vinho ou o faz inaceitável para o consumo. Ao contrário, provavelmente serão estes rótulos que consumiremos com mais frequência e teremos boas experiências.

Conhecer e acompanhar o trabalho de um guia de vinhos, de uma publicação, um crítico ou premiação fará com que você conheça mais os critérios de cada um e, com o passar do tempo, entenderá com qual destas referências o seu paladar está mais de acordo.

Detalhamos aqui alguns dos critérios usados por críticos e publicações internacionais mais conhecidas atualmente.

 

Robert Parker’s Wine Advocate

Wine Advocate é a publicação norte-americana fundada por Robert Parker, o principal responsável pelo uso de pontos no mundo do vinho. Em 2013 uma participação majoritária foi vendida para um grupo de investidores de Singapura e Robert Parker anunciou em 2017 sua aposentadoria. Hoje, Lisa Perrotti-Brown MW é a editora-chefe da publicação e os vinhos são avaliados por uma equipe de críticos especializados selecionados pelo próprio Parker ao longo dos anos.

96-100 pontos – Um vinho extraordinário, com profundidade e complexidade.

90 – 95 pontos – Um vinho com caráter e complexidade excepcional.

80 – 89 pontos – Um vinho muito bom ou acima da média, com várias nuances de finesse e sabor.

70 – 79 pontos – Um vinho mediano, bem feito, mas com pouca distinção.

60 – 69 pontos – Um vinho abaixo da média que tem defeitos perceptíveis.

50 – 59 pontos – Inaceitável.

 

Wine Spectator

É a revista sobre vinhos de maior renome no mercado norte-americano. Anualmente, no mês de dezembro, é publicada a lista dos Top 100 do ano, avaliados pela sua qualidade, valor e presença no mercado.

95-100 pontos – Clássico: um grande vinho.

90-94 pontos – Excepcional: um vinho com caráter e estilo superior.

85-89 pontos – Muito bom: um vinho com qualidades especiais.

80-84 pontos – Bom: um vinho sólido e bem feito.

75-79 pontos – Mediocre: o vinho pode ter pequenos defeitos.

50-74 pontos – Não recomendado.

 

Decanter World Wine Awards

Concurso anual organizado pela renomada revista britânica Decanter. O Decanter World Wine Awards (DWWA) é a premiação mais importante do mercado de vinhos e contou em 2019 com quase 17 mil rótulos inscritos, analisados por 280 respeitados jurados, entre eles Masters of Wine e Masters Sommeliers.

Platinum (95-100 pontos – vinhos medalha de ouro que são reavaliados e elevados à categoria Platinum devido sua superior qualidade)

Medalha de Ouro (95-100 pontos – vinhos de excelente qualidade, complexidade e caráter)

Medalha de Prata (90-94 pontos – vinhos muito bons com impressionante qualidade)

Medalha de Bronze (86-89 pontos – vinho bem feito, acessível e agradável de beber)

 

Jancis Robinson

Jancis Robinson é a talvez a mais importante e influente escritora sobre vinhos na atualidade e foi a primeira pessoa de fora do mercado de vinhos a se formar Master of Wine. Ela e sua equipe compartilham suas impressões sobre os vinhos degustados no site www.jancisrobinson.com

20 pontos – Verdadeiramente excepcional

19 pontos – Excepcional

18 pontos – Um passo além de ‘Superior’

17 pontos – Superior

16 pontos – Notável

15 pontos – Um vinho bom, sem defeito mas que não emociona

14 pontos – Entediante

13 pontos – Limite entre defeituoso ou desequilibrado

12 pontos – Defeituoso ou desequilibrado

 

Vinous

Antonio Galloni foi membro do time da Wine Advocate de Robert Parker entre 2006 e 2013, quando era responsável pelas avaliações de vinhos da Itália, Champagne, Borgonha e Califórnia.
Em 2013, Galloni deixou a Wine Advocate e montou sua própria publicação online. A equipe é composta por críticos e especialistas de peso incluindo Stephen Tanzer como editor-chefe, Neal Martin (pupilo de Robert Parker), Josh Reynolds e Eric Guido. Além de artigos, a Vinous também faz lives através do YouTube com os principais produtores do mundo.
A publicação também conta com o aplicativo Delectable, uma rede social para amantes de vinho interagirem e compartilharem suas experiências.

www.vinous.com

96-100 pontos – Único! Um vinho profundo e emocionante, que mostra os melhores atributos do seu estilo. São os melhores e mais icônicos vinhos do mundo.

90-95 pontos – Excepcional. Um vinho de notável personalidade e caráter que vale a pena procurar.

85-89 pontos – Excelente. Um vinho estruturado, com verdadeiro caráter que proporciona muito prazer ao ser bebido. São boas compras e vinhos para o dia-a-dia que não vão quebrar as finanças.

80-84 pontos – Comum. Um vinho sem defeitos, mas sem distinções.

75-79 pontos – Abaixo da média. Um vinho com pelo menos um defeito perceptível.

Abaixo de 75 pontos – Não perca o seu tempo.

 

Texto por Bianca Veratti DipWSET

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